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Michel Foucault: Problèmes de l'Anthropologie (1954-1955)

 Foucault, Michel & Lagrange, Jacques (2023). Problèmes de l'Anthropologie - Cours à l'École Normale (1954-1955). Espaço Michel Foucault. [link Espaço Foucault], [link PhilPapers


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Gustav Fechner e a alma do mundo

 Miotto, M. L. (2021). Gustav Fechner e a alma do mundo. Revista Helius, 3(2, fasc. 2), 852-906. Recuperado de /https://helius.uvanet.br/index.php/helius/article/view/208

Resumo: 

O presente trabalho pretende delinear a noção de Panpsiquismo no projeto filosófico de Gustav Theodor Fechner, especialmente a partir da análise do livro Über die Seelenfrage, de 1861. Para isso, o artigo repõe em linhas gerais a questão das relações entre seu projeto filosófico e a Psicofísica, uma vez que as interpretações clássicas sobre Fechner geralmente enxergam essas duas competências como separadas. Em segundo lugar, o artigo situa questões históricas sobre Fechner e a Psicologia (e sobre filosofia e ciência), bem como a importância da Naturphilosophie em seu projeto. Finalmente, passa-se à análise dos argumentos de Fechner em defesa do Panpsiquismo e analisam-se novamente as relações entre essa visão e a Psicofísica.

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A Psicologia entre o longo passado e a curta história

O artigo analisa a frase de Ebbinghaus, célebre, e critica os pressupostos históricos ali supostos, com algumas frentes de análise. Segue o resumo:

O presente trabalho pretende inserir a História da Psicologia dentro de um debate mais alargado, em torno das Histórias da Filosofia e das Ciências. Para isso, o objeto de análise é a célebre frase de Ebbinghaus, 'A Psicologia tem um longo passado, mas uma curta história', e toda a tradição de livros e textbooks decorrente dela, muito popular nos séculos XX e XXI. O trabalho analisará o texto de Ebbinghaus e seus compromissos decorrentes. Então realizará uma crítica a essa tradição, em três frentes: primeiramente, trazendo à tona estudos mais recentes sobre Gustav Fechner, encarado como figura central na constituição da Psicologia como ciência, mas não obstante ignorado por seus compromissos 'especulativos'; em segundo lugar, confrontando tais questões com as perspectivas do século XX, especialmente a história epistemológica das ciências; finalmente, abrindo o 'longo passado' a uma história mais alargada, a partir de analistas mais contemporâneos que começaram a perscrutar o próprio termo 'Psicologia'.
Está no PhilPapers, mas a referência é: Dissertatio 47:95-134 (2018)

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Para uma História da Psicologia

Os textos abaixo, de Paul Mengal, são de 1988 e 1994. Mas eles mostram algo pouco recebido pela crítica até hoje: certo esquecimento das bases históricas da Psicologia pelos próprios psicólogos. Se, por exemplo, um Físico não pode ignorar o nascimento da física moderna a partir de figuras como Copérnico e Galileu, ou da criação de instrumentos como o telescópio (isto é: o físico foi obrigado a reconhecer, para a constituição da física moderna, alguns critérios, mesmo que inexatos), em História da Psicologia a disciplina perdeu-se numa série de ilusões retrospectivas. 
 
Quando retorna ao passado para enxergar o presente, muitas vezes o Psi encontra espécies de interrogações destituídas de interesse para uma história da Psicologia, senão sob caricaturas retrospectivas. Assim, por exemplo, Platão, Aristóteles ou Descartes teriam teorias que seriam uma espécie de "museu do ultrapassado": falam sobre a mente ou alma, mas sob motivos, no fundo, ultrapassados e irrelevantes. Seriam, no fundo, "figuras importantes sem importância". 
 
E quando olha do presente para o passado, o Psi prende-se em juízos retrospectivos ligados a compromissos que permanecem inconfessos, mas que direcionam previamente todo julgamento sobre a História. 
 
Isso começou ao menos com Hermann Ebbinghaus, na virada do século XX, quando disse que a Psicologia tem um "longo passado, mas uma curta história".
Ebbinghaus queria usar seu positivismo como ponto arquimediano sobre o qual giraria a História da Psicologia inteira. Seus motivos foram popularizados por historiadores como Edwin G. Boring (em torno de 1929), e depois difundidos numa imensa cultura de manuais de Psicologia. 

Muitos criticaram o "positivismo" de Ebbinghaus, mas o enfoque internalista, retrospectivo e presentista em história, consolidado por ele, permaneceu.

Muita Psicologia ainda se acha capaz de julgar a História a partir dos critérios internos que adota. Assim, pode-se acusar o anti-cientificismo usando um critério cientificista; pode-se também utilizar outros termos de base, tais como "autenticidade", "singularidade", "esfera concreta" ou "social" ou qualquer outro para girar sob si o eixo da História e fazer cair como falsa qualquer outra Psicologia.

Sob tais procedimentos, uma história que tenta demonstrar como determinados conceitos e protocolos se tornaram possíveis para compor o presente, ficou na penumbra.

É um pouco esse o esforço de Mengal, dentre outros historiadores: perguntando sobre como a Psicologia se tornou possível, ao invés de (por assim dizer) já lançar sobre a história juízos presentistas e retrospectivos, ele encontrou uma série de autores e questões pouco considerados, mas que dizem respeito à criação do termo "Psicologia" no século XVI e seu destino e implicações.

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Transversal: Edição dedicada a Georges Canguilhem

Dossiê da Revista Transversal dedicado a Georges Canguilhem. Muita coisa interessante por lá:

Dossiers (Issue-specific topics)

Fábio Ferreira Almeida
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3
François Delaporte
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8
Enrico Castelli Gattinara
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14
David Marcelo Peña-Guzmán
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27
Arantza Etxeberria, Charles T. Wolfe
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47
Roth Xavier
PDF
64
José Ternes
PDF
78
Carlos Estellita-Lins, Flavio Coelho Edler
PDF
90
Márcia H. M. Ferraz, Ana M. Alfonso-Goldfarb, Silvia Waisse
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108
Alexandra Soulier
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118
Tiago Santos Almeida
PDF
140
Océane Fiant

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Lacan, Canguilhem, Panteão, Delegacia de Polícia (1966)

Jacques Lacan (Cahiers pour l'Analyse 1):

On sait ma répugnance de toujours pour l’appellation de sciences humaines, qui me semble être l’appel même de la servitude.
C’est aussi bien que le terme est faux, la psychologie mise à part qui a découvert les moyens de se survivre dans les offices qu’elle offre à la technocratie; voire, comme conclut d’un humour vraiment swiftien un article sensationnel de Canguilhem: dans une glissade de toboggan du Panthéon à la Préfecture de Police. Aussi bien est-ce au niveau de la sélection du créateur dans la science, du recrutement de la recherche et de son entretien, que la psychologie rencontrera son échec.

Georges Canguilhem (Cahiers pour l'Analyse 2):

C’est donc très vulgairement que la philosophie pose à la psychologie la question: dites-moi à quoi vous tendez, pour que je sache ce que vous êtes? Mais le philosophe peut aussi s’adresser au psychologue sous la forme - une fois n’est pas coutume - d’un conseil d’orientation, et dire: quand on sort de la Sorbonne par la rue Saint-Jacques, on peut monter ou descendre; si l’on va en montant, on se rapproche du Panthéon qui est le Conservatoire de quelques grands hommes, mais si l’on va en descendant on se dirige sûrement vers la Préfecture de Police.

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Uma "história filosófica" da Psicologia

Em 2017 Saulo Araujo publicou Toward a philosophical history of psychology: An alternative path for the future, artigo que parece ter ocasionado certo burburinho nos meios anglófonos, bem como uma resposta de Araujo a eles. 

O que parece saltar aos olhos, disso tudo, é o conjunto de malentendidos e de interpretações enviesadas que esse tipo de debate ocasiona. 

A primeira coisa que me espanta é a "história da Psicologia", especialmente americana (e a brasileira a imita bastante), ter desenvolvido uma espécie de agenda institucional de história como se funcionasse independentemente das demais discussões em história e filosofia da ciência.

Um breve exemplo: em física é possível ser físico, e também se pode fazer história da física. As duas ocupações são bastante independentes a ponto de um físico pouco incomodar-se com sua própria história, ou ainda, pouco incomodar-se com qualquer outro tipo de historiador (vindo da História, da Filosofia, da Sociologia...) que se ocupe com seus assuntos, inclusive de forma por assim dizer "não-física", exterior ao métier do físico. 

Aliás, é incrível, por exemplo, ver um conjunto imenso de questões teóricas ser relegado a assuntos tais como "física teórica", que não obstante faz parte da física tout-court. Assuntos eminentemente filosóficos, como a "teoria das cordas", não chegam a ser chamados de "filosofia". 

Em resumo: vê-se entre os físicos inclusive certo despeito (inclusive no mal sentido) para com o que a história ou outras áreas podem fazer ou contribuir para com a física. E inversamente, vê-se trabalhos muito ricos de história da física feitos por filósofos e outros "não-físicos".

Em Psicologia parece diferente: quase todo historiador da Psicologia é psicólogo, formado entre psicólogos e estudando história da Psicologia em departamentos de psicologia. Mesmo que em Psicologia exista abertura para ver outras áreas e adequá-las em assuntos psicológicos, parece que há uma espécie de "agenda interna" que sempre subsume qualquer assunto em história da Psicologia para dentro dos muros institucionais dos psicólogos. Alguém se torna "historiador da Psicologia" estudando, via de regra, entre psicólogos.

Disso, parece-me notável o quanto o trabalho de Araujo tem ao mesmo tempo aberto portas e fornecido fatores que parecem pouco compreendidos por muitos psicólogos. 

É o caso de sua "história filosófica" da Psicologia. Ele argumenta no texto que, desde os anos 1960, houve uma grande institucionalização em história da psicologia, acompanhada de historiografias inspiradas em outras historiografias críticas e de "social turn". Dentre os exemplares ele cita estudos como o de Thomas Kuhn, que temporalizaram e, por assim dizer, "sociologizaram" os estudos em ciência. 

Diante disso, Araujo propõe com sua "história filosófica" algo que deveria parecer absolutamente trivial, mas incrivelmente não parece: estudar a história de uma ciência não retira de questão estudar o modo essencialmente polêmico com o qual uma ciência se relaciona com seu presente e com o seu passado, tornando-a polêmica em sua própria existência, e transmutando o presente em "atualidade", como diriam Bachelard e outros. É estudar como ela constrói sua arquitetura com base em seus conceitos e como esses conceitos "secretam" (para usar uma palavra de Canguilhem) uma história própria, que precisa ser compreendida na ligação desses conceitos com outros conceitos (filosóficos e científicos) e com uma imensa rede de outros fatores, por assim dizer, "não conceituais". 

Em suma: uma "história filosófica" não descarta o fato de que conceitos são formulados em agendas extra-científicas, mas não reduz a formação dos conceitos a aspectos positivistas e "internalistas"; e por outro lado, assume que cada ciência possui um conjunto de historicidades próprias das quais, se elas encontram suas condições de possibilidade também em outros fatores extra-científicos (por exemplo, sociológicos), isso não significa que toda ciência se reduza a esses condicionantes exteriores. Em suma: análise conceitual ligada a uma "história filosófica", sem recair nos ditos "internalismos" e "externalismos". 

O próprio Canguilhem, a esse respeito, dizia, em L'Objet de l'histoire des sciences, que 
A história das ciências não é uma ciência e seu objeto não é um objeto científico. Fazer, no sentido mais operativo do termo, uma hsitória das ciências, é uma das funções, e não a mais fácil, da epistemologia filosófica.
Parece-me surpreendente o quanto esse tipo de consideração, tão antiga, é tão pouco lida. Mas é precisamente por esse caminho que Araujo anda, caminho que não parece bem entendido por muita gente.

E caminho que também é trilhado por historiadores da filosofia, ou mesmo por quem quer tomar a história da psicologia como assunto de história da filosofia e das ciências.

Ele diz, por exemplo, que uma "história filosófica da psicologia" envolve um aspecto "crítico" (pois não celebra qualquer projeto psicológico), "policêntrico" (pois envolve os mais diversos projetos) e "internacional" (não diz respeito ao eixo anglo-europeu). Além disso, tal história visa a "coerência e racionalidade dos projetos psicológicos em seus próprios contextos históricos" (p. 10). 

Em suma: salta aos olhos que uma história da psicologia já não devesse ser aberta a outros domínios, especialmente filosóficos (digo isso em sentido bastante geral). É claro que o psicólogo retém questões filosóficas em Psicologia. Mas ele não pareceu ter percebido ainda o contrário: o quanto a Psicologia pode ser analisada sob pontos de vista que nada devem à Psicologia.

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Lorem Ipsum

"All testing, all confirmation and disconfirmation of a hypothesis takes place already within a system. And this system is not a more or less arbitrary and doubtful point of departure for all our arguments; no it belongs to the essence of what we call an argument. The system is not so much the point of departure, as the element in which our arguments have their life."
- Wittgenstein

Lorem Ipsum

"Le poète ne retient pas ce qu’il découvre ; l’ayant transcrit, le perd bientôt. En cela réside sa nouveauté, son infini et son péril"

René Char, La Bibliothèque est en feu (1956)


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